O valor da formação do sucessor

Por Albírio Gonçalves

É gratificante quando observamos casos de sucesso em processos sucessórios de grupos empresariais familiares. Quando um jovem sucessor assume, depois de ter se preparado com obstinação para ficar no comando do negócio da família, principalmente. Preparação esta que precisa ser realizada intra e extramuros da empresa.

Em virtude da minha atuação profissional, já vi, e continuo vendo, infelizmente, jovens promissores, outrora cheios de boas ideias e atitudes, tornarem-se mais parecidos, em ideias e ações, com os fundadores dos negócios que herdarão. Nada contra as ideias e as ações dos fundadores, em grande parte, foram elas as responsáveis pelo crescimento do negócio. Mas inovar é preciso! Contudo, a coisa fica ainda mais feia quando estas empresas estão passando por dificuldades e não há ideias novas para se implementar. Ao contrário, as soluções adotadas não passam de receitas batidas, ou seja, mais do mesmo. E como bem falou Einstein: “loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual”.

Empresarialmente falando, ficar limitado às práticas internas da empresa, além das relações com os stakeholders de sempre, é um lento e doloroso suicídio profissional para herdeiros e sucessores. Confesso que fico triste em ver jovens herdeiros cheios de vigor deixando a rotina e a acomodação tomarem conta das suas vidas. Plateia, no lugar de protagonistas de suas carreiras e vidas profissionais.

Felizmente, por outro lado, também observo mais jovens que investem em sua preparação para, no futuro, assumirem os negócios da família. Não se limitam ao aprendizado empírico do dia a dia do negócio, que é muito importante, nem às leituras de livros de “autoajuda” empresarial. Estes jovens investem em cursos de pós-graduação, MBAs e de educação executiva, participam de eventos sobre gestão, liderança, negociação, entre outros, além de encontros específicos das suas áreas de atuação e segmentos de mercado e, em muitos casos, investem em experiências profissionais em outras organizações. O universo das empresas familiares vencedoras está cheio de exemplos de jovens que, com formação de qualidade, visão empreendedora, ações contundentes e coragem para romper com a mesmice, transformaram derrocadas empresariais iminentes em verdadeiros cases de sucesso empresarial.

O mundo mudou, é preciso estar antenado com o que acontece além do mundo em que se vive. Às vezes, apenas acompanhar as mudanças não resolve, em algumas áreas, para vencer, é preciso gerar a mudança. Mais uma vez, afirmo: inovar é preciso!

Prezado(a)s fundadores e fundadoras, planejem com cuidado o processo sucessório das suas empresas e invistam na formação da próxima geração que comandará os seus negócios. Caríssimo(a)s herdeiro(a)s, preparem-se com afinco, pois como sucessor(a) ou acionista, “pegar o bonde andando” é uma enorme responsabilidade, e não é fácil. Os desafios atuais e futuros são imensos, assim como as recompensas para quem fizer além do dever de casa.

Para finalizar, um lembrete aos jovens dirigentes: acesso à informação de qualidade e no tempo certo, formação profissional adequada, coragem para agir e mudar, modelo de gestão eficaz, boas práticas de governança corporativa e pessoas certas nos lugares certos, operam verdadeiros milagres empresariais, da cura e da multiplicação. Pensem nisso!